A Ana Maria nos levou para a sua zona favorita de Portugal: o Alentejo. De lá, trouxe postais da calmaria. "Planícies de perder a vista, oliveiras por toda a parte e a sensação de tempo parado", foi o que ela nos escreveu. Tudo regado a vinho e azeite, é claro. Leia a seguir nossa conversa com a Ana e veja como ela registrou com beleza: nossas peças junto com as suas lembranças.

Como você começou a fotografar?
Sempre soube que pertencia ao mundo das artes. Estudei música muitos anos, mas queria ser chef de cozinha. Quando tinha 12 ou 13 anos, no boom da era dos blogs, criei o meu blog de pastelaria e reuni um público enorme. Foi aí que comecei a fotografar. Senti a necessidade de criar fotos bonitas, com cenários trabalhados para as minhas receitas. Foi uma fase muito divertida. A música trouxe-me o amor pelas bandas sonoras e pelo cinema. Segui esse caminho, mas depois da faculdade percebi que gosto mais da imagem parada do que em movimento. Assim foi.

O que uma foto precisa para ser especial?
Algo que nos transmita uma resposta emocional, que provoque qualquer coisa em nós, que nos coloque num espaço-tempo. Não precisa necessariamente de ser tecnicamente correta, mas precisamos de sentir alguma coisa quando olhamos para ela. Assim se torna inesquecível. Peter Adams uma vez disse, “Great photography is about depth of feeling, not depth of field.”

Foto digital ou analógica?
Sou uma pessoa nostálgica mas não sou saudosista. Gosto do grão em muitos elementos da minha vida, na música, na correspondência e na fotografia. Apesar de fotografar muito em formato digital, principalmente em trabalho, a fotografia em filme será sempre o meu eterno amor. É especial e tem o seu encanto. Desde a paleta de cores, aos detalhes nas altas luzes e nas sombras. Obriga-nos a conhecer as bases da fotografia, a mecânica de cada câmera, e faz-nos ser menos impulsivos. Cada uma daquelas 36 exposições (37, se tivermos sorte) é especial.

Pode-nos contar seus 3 lugares preferidos para fotografar, aí em Portugal?
O Alentejo é lindo, o Gerês é de tirar a respiração. Lisboa é sempre bonita e poética e em constante mudança. Tenho a sorte de viver perto da praia, na Costa Oeste, e toda a vez encontro um sítio novo. A Costa Vicentina é um paraíso intocado e os Açores são natureza em estado bruto. Não consigo decidir só três, é impossível!