O instagram da Mari e sua Tapilogie é daqueles que dão vontade de reformar a casa inteira só de olhar! Vê-se em um instante que em todos os cantos os detalhes foram pensados, por olhares, é claro, apaixonados pelo que fazem. Vem descobrir um pouco da história dessa mulher que transformou sua paixão em um empreendimento cheio de charme.

 

por Gabriela Marcotti


Mari, como você iniciou a Tapilogie? Já era algo que pretendia criar a algum tempo?

A ideia da Tapilogie surgiu no meio da pandemia, em julho de 2020. Como muita gente, eu estava focada em decorar a minha casa e garimpando muita coisa online (móveis, objetos e, claro, tapetes). A relação com os tapetes era peculiar: garimpava um e já estava de olho no próximo que surgia...


Mari veste o Vestido Joice


 Garimpava em muitos lugares diferentes, e comecei a ver que sentia falta de uma loja que fizesse essa curadoria, que eu estava fazendo pra mim mesma. Daí decidir transbordar essa paixão e trazer isso para outras pessoas. 

 

Sempre gostei de garimpar, tanto roupa quanto decoração. Adoro a ideia de sair sem saber o que estou buscando e me deixar surpreender pelo que cruza meu caminho. Bater o olho em alguma peça e conectar com a história que ela quer me contar. Sempre digo que garimpar é a arte do encontro. Na Tapilogie, meu garimpo é muito intuitivo: quando um tapete me faz sentir alguma coisa, o trago para a curadoria e tento passar o mesmo sentimento que tive para as pessoas. 

 

Nos conte um pouco sobre a sua rotina de trabalho e dos desafios de empreender nessa área.

Até o início desse ano trabalhava 100% de casa: era onde fazia as fotos e também guardava meu estoque de tapetes. Em fevereiro encontrei, junto com uma amiga que tem uma marca de roupas (a Gio Nadruz, da Nadruz - @_nadruz), uma casinha onde agora tenho meu escritório, meu estoque e um showroom das peças (que abriremos para o público em breve!). Durante a semana divido meus dias entre sair por aí para garimpar novidades (meu esporte favorito), fazer fotos dos tapetes para instagram e site, fazer atendimento aos clientes, criar conteúdo e organizar a parte administrativa (financeiro, contábil, logística, etc), e mil outras coisinhas que vão surgindo. O maior desafio é equilibrar todos esses pratinhos - mas também é delicioso. 

 

Você diz que é apaixonada pelas histórias que os tapetes de uma casa podem nos contar. Isso é lindo! Pode nos explicar melhor?

Os tapetes que fazem parte da nossa curadoria são em sua maioria de origem oriental (Índia, Irã, Paquistão, Marrocos, Afeganistão…) e sempre feitos à mão, com materiais naturais como lã, algodão e seda. Eles demoram de 6 meses a um ano para serem confeccionados, e são feitos para durarem muitos anos, atravessando gerações.


Mari veste Calça Eloise, Bota Caroline, Casaco Charlotte e Bolsa Nicole


 ...partes rapé (que é onde já não tem lã e o tapete fica com aquele aspecto “raspadinho”, que acho um charme), cores amadurecidas tornadas ainda mais belas. Decorar a casa com peças com história traz uma dimensão de afetividade, algo já vivido que vai se somar à sua história para contar uma nova. 

 

Sua casa é muito maravilhosa, cada canto tem um charme, como foi o processo de deixar o espaço do jeitinho que você queria?

Encontramos esse apartamento completamente detonado, inabitável, mas já na primeira visita conseguimos enxergar o potencial do espaço. Decidimos então nos lançar em uma reforma e encontramos arquitetas que tinham o nosso mesmo olhar para vintage e garimpo - não temos nenhum móvel novo, todos são de segunda mão (acho que as únicas exceções são a tv e a cama, rs). Com elas fomos construindo à 8 mãos cada ambiente, onde tudo contava uma história, alinhada com a nossa. Demorou, mas valeu super a pena. 



Falando em casa e tapetes, você tem alguma história especial de um tapete na sua casa?

Todos eles foram encontrados enquanto garimpava para a Tapilogie e tive um “coup de foudre”, aquela paixão à primeira vista que não me deixou desapegar deles.

 

Na sua opinião, qual é o programa de inverno?

Para dias de preguiça, aproveitar o frio pra dormir até mais tarde, tomar um café da manhã com calma e ler um livro acompanhado de um chá quentinho. Para dias de passeio, ir conhecer um restaurante novo e emendar em um cineminha. 

 

Ficamos apaixonadas pelo universo de livros na sua sala, qual deles você nos indicaria para ler hoje? E por que?

Na reforma do nosso apê, a grande estrela do projeto era a nossa estante de livros, com 8 metros de comprimento. 


Mari veste Macacão Joana e Bota Caroline


Queríamos que os livros tivessem um lugar de destaque na decoração, e eles são perfeitos pra trazer o aconchego que amamos. 

 

Meus autores favoritos são Isabel Allende, Haruki Murakami, Gabriel Garcia Marquez e Chimamanda Ngozi. Como indicação, deixo os dois últimos que eu li e que amei: “Os Coadjuvantes” da Clara Drummond e “Meu Corpo” da Emily Ratajkowski. 

 

O primeiro é um livro que te faz “rir de nervoso”, com passagens cômicas e outras mordazes, cuja narradora é uma curadora de arte de família tradicional carioca que um dia vê sua história se cruzar com a de Darlene, a ambulante que vende cerveja em frente a seu prédio em Botafogo. Uma reflexão satírica sobre uma geração obcecada com imagem, posição social e um moralismo superficial, por vezes hipócrita, de quem se incomoda com o status quo mas nada faz para mudá-lo. 

 

O segundo é uma série de ensaios pessoais escritos pela modelo e ativista Emily Ratajkowski, onde ela conta suas experiências sobre capitalizar seu corpo desde muito nova, a indústria da moda e do entretenimento. É sobretudo um relato sobre feminismo, sexualidade, empoderamento. 



Você tem um grande sonho para Tapilogie? Onde quer estar em 5 anos?

Acho essa pergunta muito difícil pois sou muito de viver o momento e me movo seguindo a minha intuição. O que gostaria muito é de, em 5 anos, ainda conseguir trabalhar com a minha paixão e manter essa liberdade - de tempo, de lugar, de encontros, de estética, de criação. 

 

 

Visite o perfil da Mari e da Tapilogie no instagram!